Com o crescimento exponencial das ferramentas de segmentação e a sofisticação das estratégias de marketing digital, as marcas estão cada vez mais capacitadas a atingir públicos altamente específicos. Porém, com esse poder de personalização vem um grande desafio: o excesso de informação. Em meio ao oceano de dados que as marcas têm acesso, surge a pergunta: como garantir que a mensagem da marca seja realmente compreendida?
Esse foi um dos pontos destacados no painel sobre as tendências e desafios do marketing no Scream 2024, evento que reuniu especialistas e líderes da indústria para discutir as mudanças e desafios do mercado digital. Durante o debate, Leonam Torres apontou que a capacidade de segmentação é impressionante, mas “isso não quer dizer que necessariamente essa pessoa vai conseguir me ver”. A marca pode tentar atingir o consumidor com todos os recursos possíveis, mas não há garantia de que a mensagem será percebida como relevante.
A era da hiperpersonalização, em que é possível segmentar o público por faixa etária, horário, clima ou até pelo tráfego das cidades, apresenta um paradoxo: mais dados não significam necessariamente mais eficácia. Como destacou Eduardo Teixeira, “a gente tá imerso num oceano de informação” e, nesse cenário, as marcas precisam encontrar maneiras mais eficazes de se destacar. A “limitação cognitiva” das pessoas, bombardeadas constantemente por mensagens, é uma das principais barreiras a serem superadas.
Dessa forma, as marcas precisam se adaptar à realidade de um consumidor mais exigente e mais distante, cada vez mais imerso em diversos pontos de contato ao longo do dia. Isso implica na necessidade de estratégias mais criativas e inovadoras, que não se limitem a mais dados, mas que também sejam capazes de criar experiências que realmente conectem as marcas aos seus públicos de maneira significativa.
Inteligência artificial e o futuro do consumo: até onde a tecnologia pode nos levar?
A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como interagimos com a tecnologia e, consequentemente, como consumimos produtos e serviços. Durante o Scream 2024, especialistas discutiram as implicações desse avanço e o futuro do consumo em um mundo cada vez mais digitalizado e automatizado.
A IA generativa, uma das grandes protagonistas dessa revolução, permite uma automação cada vez maior das tarefas cotidianas, facilitando a vida das pessoas de maneiras que antes pareciam impossíveis. No entanto, como foi destacado por Leonam Torres, “hoje a IA generativa permite que a gente tenha uma facilitação do nosso dia a dia, do trabalho, de algumas tarefas”. Contudo, ela ainda depende de um comando humano, o que levanta questões sobre a real autonomia que essas tecnologias podem alcançar no futuro.
A discussão no evento também abordou a questão da coleta massiva de dados necessária para que as assistentes virtuais, como a Alexa, funcionem de forma eficiente. “Para que a inteligência artificial funcione, eu preciso coletar muito dado”, explicou Eduardo Teixeira. Isso faz com que a IA, no futuro, não seja apenas uma ferramenta passiva, mas uma parte intrínseca da vida cotidiana das pessoas, tornando-se capaz de integrar informações de diversos meios, como redes sociais, dispositivos móveis e até mesmo do tráfego de cidades.
O maior questionamento, no entanto, reside nos impactos sociais dessa crescente automação e personalização. Com a tecnologia avançando a passos largos, é possível que, em um futuro não muito distante, assistentes virtuais sejam ainda mais integrados ao nosso dia a dia, processando informações e tomando decisões por nós de maneira cada vez mais independente. Como afirmou Leonam Torres, “eu imagino que no fim das contas toda essa integração de mídia, toda a maneira como a gente vai se comportar vai permear muito sobre como a gente sobre esse uso que a gente vai fazer dessas assistentes”.
Essas mudanças, no entanto, trazem à tona um questionamento sobre o controle, a privacidade e a ética na utilização dessas tecnologias. Em um mundo em que tudo parece ser monitorado e armazenado, fica a dúvida: até onde a tecnologia pode nos levar antes que a sociedade precise estabelecer limites para garantir que a experiência humana não se perca em meio à automação e à coleta incessante de dados?
Esse tema de impacto da inteligência artificial no futuro do consumo foi amplamente debatido no Scream 2024, trazendo à tona diferentes perspectivas sobre como as tecnologias emergentes vão redefinir nossa relação com o consumo e as marcas.