A Indústria Musical está passando por uma transformação significativa, impulsionada pelo crescimento das plataformas digitais e pela mudança nos hábitos de consumo do público. No Scream Festival 2024, o painel “Como fazer sucesso na música em 2025?” trouxe insights valiosos sobre os desafios e oportunidades para artistas independentes que buscam espaço no mercado.
O protagonismo da música independente
Um dos dados mais surpreendentes apresentados no painel veio de Rafaela Ventura, especialista em jornalismo cultural, que destacou um relatório recente do Spotify: 70% da arrecadação da plataforma em 2023 foi distribuída para artistas e selos independentes. Isso demonstra que há um caminho sólido para quem deseja se destacar sem a necessidade de contratos com grandes gravadoras.
“A gente fala sobre números astronômicos do mainstream, mas um dado potente como esse mostra que existe, sim, mercado para os artistas independentes trabalharem e acreditarem na sua arte”, afirmou Rafaela.
Outro exemplo citado foi o do cantor JP, que teve sua grande ascensão em 2024 e conquistou três prêmios no Grammy Latino. “Ele não era um artista consolidado há muito tempo. O ano dele foi 2024, e ele já conseguiu esse reconhecimento”, pontuou Rafaela.
O papel da tecnologia e das redes sociais
Para se destacar, o artista precisa usar a tecnologia a seu favor, desde a distribuição no streaming até a comunicação direta com o público nas redes sociais. Danillo Barata, Pró-reitor de extensão e cultura da UFRB, ressaltou que 93% do consumo de música acontece no digital, tornando a presença nessas plataformas essencial.
“Hoje, o que se pede de um artista é uma presença consistente no Spotify, Apple Music, Deezer e outras plataformas. Mas isso não basta: as redes sociais, como Instagram e TikTok, são fundamentais para retroalimentar essa presença digital”, explicou Danillo.
Além disso, a curadoria das plataformas pode impulsionar ou dificultar a visibilidade de um artista. Rafaela destacou a importância de um planejamento estratégico para os lançamentos, incluindo pitching para playlists editoriais do Spotify e ações promocionais para que a música chegue ao público certo.
“Se você joga sua música lá e não faz nada, ela não é vista. Ela vai ser só mais uma dentro de uma plataforma com 300 milhões de outras músicas”, alertou Rafaela.
Monetização além do streaming
Outro ponto essencial para os artistas independentes é a diversificação das fontes de renda. A palestra abordou alternativas como:
- Shows ao vivo: ainda são a principal fonte de receita para muitos músicos.
- Licenciamento de músicas para publicidade e produções audiovisuais: cada vez mais artistas fecham contratos com marcas e filmes.
- Merchandising e produtos personalizados: como camisetas, vinis e outros itens exclusivos.
- Monetização das redes sociais: alguns artistas conseguem faturar alto com conteúdos patrocinados, sem perder a autenticidade.
Rafaela citou o exemplo de uma cantora que fez uma ação para a L’Oréal promovendo uma tintura específica e, quando chegou para um show, percebeu que suas fãs tinham adotado a mesma cor de cabelo. “Ela entendeu quem era seu público e como vender a sua marca sem que isso parecesse publicidade invasiva”, contou.
O mercado da música nunca esteve tão aberto para os independentes, mas o sucesso não vem por acaso. Ter um planejamento sólido, entender as plataformas digitais e diversificar as fontes de renda são passos fundamentais para crescer e se manter relevante. Como destacou Rafaela Ventura, não há receita de bolo, mas há estratégias que podem ser adaptadas para cada perfil de artista.