Como a regeneração de corais pode ajudar no combate à crise climática? - Scream Festival

Como a regeneração de corais pode ajudar no combate à crise climática?

A crise climática tem acelerado o aquecimento dos oceanos, impactando diretamente os recifes de coral, que são ecossistemas fundamentais para a biodiversidade marinha e para a regulação do carbono. No Scream Festival 2024, Zé Pescador, fundador da ONG Pró-mar, apresentou projetos inovadores de regeneração de corais na Baía de Todos os Santos, destacando o papel crucial desses organismos na preservação ambiental.

“Os corais, além de sequestrarem carbono, são os melhores sumidouros de carbono que existem. O próprio Recife, em uma área de um hectare, pode sequestrar de 400 a 2.000 toneladas de carbono da atmosfera”, afirmou Zé Pescador durante sua palestra.

Ameaças e soluções para os recifes

Os recifes de coral enfrentam diversas ameaças, como o branqueamento causado pelo aumento da temperatura dos oceanos e a ação de espécies invasoras, como o coral-sol. No entanto, iniciativas como a da ONG Pró-mar mostram que é possível restaurar esses ecossistemas e, ao mesmo tempo, fortalecer comunidades tradicionais que dependem do mar para sobreviver.

“Teve o branqueamento dos corais, que afetou os recifes no mundo inteiro, mas a Baía de Todos os Santos teve uma recuperação extraordinária”, destacou o especialista, ressaltando a importância da intervenção humana no processo de regeneração.

O projeto utiliza substratos produzidos a partir do coral-sol para acelerar o crescimento de colônias nativas, restaurando a biodiversidade local e criando ambientes mais resilientes às mudanças climáticas. A experiência bem-sucedida na Bahia já despertou interesse internacional e será apresentada no evento do Oceano, na França, em 2025.

A importância da ciência cidadã na preservação dos oceanos

Um dos diferenciais do projeto apresentado no Scream Festival 2024 é a integração entre ciência acadêmica e conhecimento tradicional. A restauração dos corais envolve pescadores e marisqueiras que, além de contribuírem para o monitoramento dos recifes, também se tornam agentes ativos na conservação marinha.

“Não foi nenhum cientista que viu que os corais na Baía de Todos os Santos estavam branqueando, foi um menino de 19 anos que trabalha no projeto com a gente”, disse Zé Pescador, ressaltando o protagonismo das comunidades locais.

O caso da Bahia de Todos os Santos demonstra que a regeneração marinha pode ser uma ferramenta poderosa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, preservando a biodiversidade e promovendo o desenvolvimento sustentável.